Arquivo anual 2020

porDra. Camila Gavioli

Cabelos brancos: como retardar o aparecimento?

O pigmento do cabelo é produzido por uma célula chamada melanócito, que está localizada na raiz do fio. Ele produz o pigmento melanina, por meio de uma enzima chamada tirosinase, e transfere esse pigmento para a haste. Para a perfeita atividade da enzima tirosinase, as vitaminas do corpo precisam estar em níveis normais. Logo, já podemos perceber que as pessoas com deficiências nutricionais poderão ter uma menor produção de pigmento e, com isso, maior formação de cabelos brancos. A cada ciclo capilar, ou seja, toda vez que um cabelo cai e se renova, o novo cabelo que nasce já apresenta uma menor quantidade de melanóticos e isso é um processo normal e fisiológico que acontece com a idade, comandado pela genética de cada pessoa.


O aparecimento de cabelos brancos (também chamado de canície) difere muito em relação a etnia, idade e sexo. Os caucasianos geralmente apresentam o aparecimento de cabelos brancos mais cedo do que os asiáticos e os africanos. Vários fatores levam ao surgimento dos cabelos brancos e podemos dividir esses fatores em internos e externos. O fator interno é a herança genética de cada indivíduo, que não podemos modificar. Nos fatores externos podemos citar as agressões que geram a produção de radicais livres, que podem destruir as células produtoras de pigmento e diminuir a atividade da enzima tirosinase. Entre esse fatores encontram-se: radiações ultravioletas, cigarro, nutrição inadequada, deficiência de vitaminas, sedentarismo, estresse e uso de drogas. Aqui eu destaco o tabagismo, um dos maiores produtores de radicais livres de conhecemos.


Então o estresse realmente gera a uma maior produção de cabelos brancos? Estudo recente da USP confirmou esse fato. Logo, cuidado com a saúde mental é de suma importância nesse quesito.


Ainda não dispomos de um tratamento que cura ou reverta de forma permanente os cabelos brancos. Portanto, a forma mais eficaz, rápida e prática continua sendo o uso de tinturas.  A adoção de medidas de melhora do estilo de vida são fundamentais: suspender o tabagismo, praticar exercícios físicos e manter uma dieta saudável. Algumas loções prontas ou manipuladas e medicações orais antioxidantes, com a finalidade de tentar reduzir os radicais livres também podem ser tentadas, porém ainda sem uma confirmação comprovada de melhora dos cabelos brancos.


Dra Camila Gavioli
Dermatologista membro da SBD
CRM-DF 25511 RQE-DF 16863

porDra. Camila Gavioli

Queda de cabelo e vitaminas

QUEDA DE CABELO E VITAMINAS: assunto cheio de controversas que vou tentar elucidar. Sabidamente a deficiência de vitaminas causa queda de cabelo, principalmente a deficiência de ferro. Porém, o excesso de vitaminas também causa queda de cabelo (principalmente o excesso de vitamina A e selênio). Por isso, o primeiro conceito que eu gostaria de passar é: antes de tomar qualquer vitamina, EXAMES DE SANGUE PRECISAM SER AVALIADOS, para que você não piore a sua situação de queda.

Na maior parte das vezes, a própria alimentação supre a quantidade de vitaminas ideais para o corpo, de forma a não termos uma deficiência grave propriamente dita. E quais são os pacientes em maior risco para deficiências reais de vitaminas? Mulheres com menstruação intensa, doenças intestinais, alcoólatras, pacientes que ingerem OVOS CRUS, pacientes com alimentação inadequada, pós cirurgia bariátrica, anorexia e uso de anticonvulsivantes. Esses sim, estão em maior risco de deficiências de vitaminas.

Então, quando um paciente com queda de cabelo deve tomar uma vitamina? Numa primeira situação, quando ele tiver uma DEFICIÊNCIA DELA nos exames de sangue! Ex.: deficiência de ferro e vitamina D devem ser respostas nos pacientes com queda de cabelo. 

E a FERRITINA? Extremamente controverso, encontramos vários dados na literatura médica. A ferritina é o estoque de ferro do corpo e é detectada por um exame de sangue simples. Seus valores normais são amplos, dependendo do laboratório (no geral varia de 10 a 300 o valor normal da ferritina). Mas, para quem tem queda de cabelo, geralmente, tentamos manter a ferritina acima de 40.

Em relação às outras deficiências de vitamina, na teoria, não temos evidências científicas suficientes que suportem a suplementação de rotina para quem tem queda de cabelo (vitamina E, biotina, vitamina B12…). Nesses casos, a avaliação é INDIVIDUAL e essas vitaminas serão receitadas pelo médico que acompanha o paciente. Por isso, novamente, jamais se automediquem. 

E quem não tem deficiência de vitaminas e tem queda de cabelo? Pode tomar vitaminas? Algumas vitaminas sim! Porém, sempre após uma avaliação individual e com exames de sangue, para, novamente, não piorar a queda. Por isso, não posso indicar nenhuma vitamina genérica por aqui. 

E o silício? Alguns trabalhos científicos mostram que certos pacientes podem se beneficiar do uso do silício, pois ocorre um aumento da papila dérmica do cabelo, a “raíz do cabelo” (com consequente aumento na espessura do fio, gerando um fio mais grosso e menos frágil). Novamente, como as outras vitaminas, o uso do silício deve ser prescrito após avaliação médica.

Último topico: veganos e vegetarianos! Existe uma maior incidência de deficiência de zinco, vitamina B12 e ferro. Por isso, esses pacientes devem ser acompanhados de perto, com avaliação laboratorial periódica. 

Dra Camila Gavioli
Dermatologista membro da SBD
CRM-DF 25511 RQE-DF 16863

porDra. Camila Gavioli

Melasma: conheça os tratamentos

Melasma é uma condição crônica da pele, que se caracteriza por manchas acastanhadas ou avermelhadas que acometem áreas expostas ao sol (principalmente bochechas, nariz, testa e buço).

Essas manchas aparecem principalmente em mulheres, por questões hormonais, sendo extremamente comum o seu início durante ou após a gestação. Além disso, outros fatores que contribuem para o aparecimento do melasma são: exposição solar, exposição a luzes brancas do ambiente (luz visível), calor excessivo, uso de hormônios (principalmente anticoncepcionais) e predisposição genética.

O melasma ocorre por um excesso de depósito do pigmento melanina na pele. Esse depósito pode ser mais superficial ou mais profundo. Isso interfere na resposta ao tratamento pois, quanto mais profundo estiver esse pigmento, mais difícil e resistente será esse melasma. 


O diagnóstico do melasma é clínico, feito durante a consulta. É importante que seja feito por um médico dermatologista, com lentes de aumento, para que se possa diferenciar de outros tipos de manchas marrons que acometem a face e possuem tratamentos diferentes.


O tratamento do melasma é sempre um desafio. A primeira recomendação é a de evitar procedimentos agressivos na pele, pois, se a pele do paciente com melasma se tornar muito vermelha e sensível, essa mancha pode piorar ou sofrer rebote. A orientação mais importante é o uso do filtro solar de forma adequada: recomenda-se utilizar um filtro com alto fps, com cobertura para as radiações UVA, UVB  e luz visível; aplicar duas a três camadas do filtro na pele e reaplicar na hora do almoço (podendo essa reaplicação ser com um filtro solar compacto). Se possível, aplicar um filtro solar com base (lembrando de passar pelo menos duas camadas).


O padrão-ouro para o tratamento de melasma é o uso de cremes associados a medicações orais. Entre os cremes, é possível fazer uma combinação do uso de ácido retinóico, ácido glicólico, ácido azeláico, hidroquinona, alfaarbutin, ácido kójico, entre outros. Recentemente, foi introduzido um novo ativo para o tratamento de melasma, chamado cisteamina. A indicação e concentração de cada produto varia com o tipo de melasma (cor e profundidade do pigmento), tipo de pele (sensível, oleosa ou seca), tom da pele, e quais cremes o paciente já utilizou, visto que cada produto tem o seu tempo limite de uso. Em relação aos tratamentos orais, é possível o uso de ativos clareadores e antioxidantes, principalmente se maior exposição solar (no verão, por exemplo), que devem ser iniciados um mês antes da exposição. O paciente com melasma pode fazer alguns procedimentos em consultório como peeling, microagulhamento e laser Lavieen. Esses procedimentos devem ser feitos com cautela, por um profissional experiente, de forma a não agredir a pele.


Por último, gostaria de lembrar que o melasma é um problema crônico e recidivante da pele. Logo, quando a mancha clarear, é necessário um tratamento de manutenção durante todo o ano. Dessa forma, é possível evitar que essas temidas manchas voltem.

Dra Camila Gavioli- Dermatologista membro da SBD
CRM-DF 25511 RQE-DF 16863